3.19.2006

Rememorações

Eis que estou, imersa em textos e objetos relacionais... Tudo, afinal se resume a relações... Tudo é relativo, relacional, relacionamento!

Sentir-me mais bela, acalmada por dentro, por pelo menos uns dois dias... Mergulhar em piscinas alheias não é nem um pouco convidativo, principalmente quando as pessoas em questão são, umas para as outras, sobras... em si, seremos sempre sobras, estaremos sempre sobrando, até mesmo no nosso universo paralelo ou diante do espelho - gordurinhas mais do que (in)localizadas...

Encontrei um homem lindissímo na fila do mercado... Digo encontrei, porque os nossos olhares se entrecortaram por alguns instantes... e eu, como sempre, a idiota que fica a contemplar os banners onde estão os preços das mercadorias...
Estava lá, como um idiota, quando, verificando se faltavam muitas pessoas na minha frente, me deparo com aquele homem... Sim, era um homem mesmo... totalmente para mim, ainda que no plano imaginário... no plano dos versos onirícos... O melhor de tudo é que ele retribuiu a minha (secreta) admiração por aquele pedaço de mal caminho - muita areia pro meu carrinho de mão...
O que mais me incomodava era que ele olhou diversas vezes para trás, olhares fortuitos, furtivos, contempladores... eram ações do arco-reflexo do globo ocular...
Ia olhar para trás, mas desisti... para quê? para quê estragar o meu momento de diva dos supermercados Xissssss... para quê? precisava, impreterivelmente, daquilo, naquela manhã abafadiça de um sábado de março...

E ele se foi, com a sua sacola - mora sozinho, imaginei... comprou um suco Del Vale e um pacote de biscoitos integrais... provavelmente ia fazer daquilo o seu café da manhã...
Mais uma olhada feliz, e fomos cada um para a sua realidade...

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