1.18.2007

já te sentia antes de te conhecer e achava que isso bastaria... que eu ficaria bem sozinha apenas com esse sentir.
achava que eu era egoísta, covarde, por não querer buscar esse sentir, no plano concreto, real, por temer quebrar o encanto e sofrer por ter idealizado alguém.

não quis procurar, e para quê procurar se você estava logo ali, do outro lado?! Vibrei: a cada palavra que você falava, demonstrava que era a pessoa com quem eu gostaria de dividir a minha estrada. Tremi: achava que me decepcionaria porque você não podia ser tal e qual eu tinha imaginado em meus devaneios da madrugada.

e eu que já te amava sem te conhecer, e eu que já sonhava contigo sem tê-lo encontrado, encontrei-me estatelada bem à sua frente! ignóbil, ridícula, samambaia de quintal... eu fui bloqueada por mim mesma: várias vozes e sentimentos que me riparam o estômago...
e você não era uma imagem que eu tinha inventado, mas um ser humano que existia. não era produto de clichês...

e, a cada novo amanhecer, eu acordava... e o meu coração, que supunha ser de gelo, era seu, e te aguardava... eu era só uma covarde (pseudo) auto-suficiente...

tudo flui de uma maneira só nossa que todo o resto é somente todo o resto e mais nada... para nós, nós mesmos, "a gente" se basta, certo?

eu não sou explicíta, mas, do meu jeito, sou para ti inteligível... e você sabe o que eu sinto...

quero muitos anos, muito tempo, para compensar os dias que em ti pensei, mas não podia te tocar. quero muito muito tempo para ouvir sua voz e participar do seu olhar. quero muito muito tempo para nós compartilharmos e nos compartilharmos... quero a você!

quero muitos anos, muito tempo, para você se alegrar comigo. quero muito muito tempo para ver as suas mágicas e aprender suas tecnologias. quero muito muito tempo para nós rirmos e chorarmos - que sejam mais risadas e lágrimas de felicidade!

e você só legitimou o meu sonho no plano real.

e tudo é, porque nós estamos... em nós!
teamote

1.15.2007

estamos

as nuvens sobrepostas
entrecortaram estrelas
no formato disposto
por aquele que quis tê-la.

o brilho incessante
descende de uma linhagem.
sempre se desprende
de uma linda folhagem.

e tudo é muito belo,
cadente estelar
através do ouro amarelo
realidade a encantar.

por ouvir vozes,
realidade distante,
surgira velozes
batidas incessantes...

... saber do indireto,
conforto para solidão.
sentimento terno
regozija em vibração.

e ela canta com os olhos
a alegria que entrou
ouça a sua canção,
dignifique o seu amor.

se o som desmerece
essa cantiga de amor,
venha e componha com ela
o vosso singelo esplendor.

things i've found around...

a minha parede ilusória era um espelho que, por sua vez, refletia uma mentira: toda a minha sabedoria - até aquele momento - era suficiente para mim. E, cada vez mais, fui caindo nesta ilusão e, por estar mergulhada em universos paralelos, o cotidiano só me legitimava como sábia.até quem não fazia parte dos meus universos paralelos legitimava e eu me enchia, o meu ego intelectual inflava pois que sabia de tudo e aquilo bastava... bem feito pra mim...
bastou entrar na vida real, mergulhar entre a poluição - literalmente falando, rs - que o mito foi desfeito: eu não sabia nada... Fiquei muda, introspectiva, mergulhada na minha burrice instantânea. passei a acreditar que eu não sabia nada, que, antes de abrir a boca, deveria pensar um zilhão de vezes... que os meus pensamentos não eram inteligíveis... não tinham alguma lógica - dentro daquilo que os ouvintes estavam acostumados...
sei lá.
comecei a ler os mais famosos filósofos do humanismo, psicanalistas... resolvi fazer auto-análise, devido a minha auto-crítica de não saber me expressar, não saber explicar nada, talvez se fosse a um terapeuta ele não me daria o diagnóstico correto, ou melhor, aquele que eu gostaria de ouvir...
fiz auto-análise - e ainda faço -; sou uma psicóloga auto-didata e paciente de mim mesma.
descobri que vivo o gaze* da minha vida. que o gaze que tanto busquei fora das fronteiras da minha terra estava fora das fronteiras de mim mesma. tenho vivido o gaze desde o primeiro dia que entrei na faculdade, que saí de mim, que perdi um pouco daquela auto-confiança, uma proteção que nunca me abalava... olhei a minha vida do alto...
e, através do gaze, tenho aprendido a voltar a mim mesma, com a vantagem de não se limitar ao espelho... de olhar em volta e não criar fantasmas.
pouco a pouco eu aprendo a conviver comigo mesma dentro do mundo real. ser eu mesma não é complicado...
sei menos e isso é bom. sei menos e não sei mais mensurar... ou mensuro da minha maneira mais do que original!
não tenho mais nada a escrever. ainda não chove, a inspiração não vem, por conseguinte...

* by Jacques Lacan

About Me

My photo
um paradoxo de sanidade e loucura