a minha parede ilusória era um espelho que, por sua vez, refletia uma mentira: toda a minha sabedoria - até aquele momento - era suficiente para mim. E, cada vez mais, fui caindo nesta ilusão e, por estar mergulhada em universos paralelos, o cotidiano só me legitimava como sábia.até quem não fazia parte dos meus universos paralelos legitimava e eu me enchia, o meu ego intelectual inflava pois que sabia de tudo e aquilo bastava... bem feito pra mim...
bastou entrar na vida real, mergulhar entre a poluição - literalmente falando, rs - que o mito foi desfeito: eu não sabia nada... Fiquei muda, introspectiva, mergulhada na minha burrice instantânea. passei a acreditar que eu não sabia nada, que, antes de abrir a boca, deveria pensar um zilhão de vezes... que os meus pensamentos não eram inteligíveis... não tinham alguma lógica - dentro daquilo que os ouvintes estavam acostumados...
sei lá.
comecei a ler os mais famosos filósofos do humanismo, psicanalistas... resolvi fazer auto-análise, devido a minha auto-crítica de não saber me expressar, não saber explicar nada, talvez se fosse a um terapeuta ele não me daria o diagnóstico correto, ou melhor, aquele que eu gostaria de ouvir...
fiz auto-análise - e ainda faço -; sou uma psicóloga auto-didata e paciente de mim mesma.
descobri que vivo o gaze* da minha vida. que o gaze que tanto busquei fora das fronteiras da minha terra estava fora das fronteiras de mim mesma. tenho vivido o gaze desde o primeiro dia que entrei na faculdade, que saí de mim, que perdi um pouco daquela auto-confiança, uma proteção que nunca me abalava... olhei a minha vida do alto...
e, através do gaze, tenho aprendido a voltar a mim mesma, com a vantagem de não se limitar ao espelho... de olhar em volta e não criar fantasmas.
pouco a pouco eu aprendo a conviver comigo mesma dentro do mundo real. ser eu mesma não é complicado...
sei menos e isso é bom. sei menos e não sei mais mensurar... ou mensuro da minha maneira mais do que original!
não tenho mais nada a escrever. ainda não chove, a inspiração não vem, por conseguinte...
* by Jacques Lacan

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