11.16.2006

minha vida, divido contigo...

Há algum tempo, eu tinha medo de olhar-me no espelho e ver o que eu me tornei com o passar do tempo. Há algum tempo, eu tinha medo de seguir a vida, de tentar, de nunca descobrir a felicidade.
Há algum tempo, eu tive medo de colocar-me a disposição do outro, e ver que a minha vida poderia ser compartilhada com outro alguém... Há algum tempo, eu era uma pessoa muito egoísta.

Há algum tempo, eu não enxergava o futuro fora dos meus universos (paralelos) criados, das minhas histórias fundamentadas em fugas... estar sempre fugindo era a minha única opção, pois eu achava que sofrer era conseqüência e, que se fosse para sofrer, que a causa não fosse mais a falta de amor do outro...

Há algum tempo, eu acreditava que podia viver somente em função de mim mesma, que a minha existência (ou não existencia) não importaria para ninguém além dos meus pais e parentes, pois isso, para eles, de se importar comigo, é uma decorrência óbvia.

Há algum tempo, eu caminhava sobre um chão de barro, a mercê das intempéries e de todo processo erosivo de que o mundo está sofrendo. Fugir era um objetivo; para onde, talvez, fosse de menor importância.

Antes de começar a faculdade, eu sabia exatamente o que eu queria e esperava da vida. Achava que sabia tudo e o que eu aprendesse na faculdade só legitimaria o meu ponto de vista: único, por sinal. Antes da faculdade, eu costumava olhar ao meu redor e saber exatamente onde eu pisava, até porque passei quase duas décadas caminhando sobre esse suporte.
Antes de começar a faculdade, eu achava que saberia como responder aos estímulos dessa vida nova...

Antes de antes da faculdade, eu era o nada. Sem universos paralelos, cheia de marcas... dores infindáveis. Antes de antes da faculdade, minha cabeça era vazia de pensamentos cheios, fechados. Eu quase segui o estigma do visionário, aquele que sempre se vai primeiro, porque já viu tudo antes mesmo que os reles vissem...
Antes de antes da faculdade, eu me ignorava e era ignorada, porque acreditava em uma força maior do que o poder da mente; tal força me carregaria pelos braços para um mundo desconhecido.

De novo o espelho...
Eu tinha medo de ver o que eu me tornei ao longo dos anos, há algum tempo, antes de começar a faculdade, antes de antes de começar a faculdade... Eu não sabia quem era eu.
Relutei em aceitar essa condição de ver além do que os demais, de olhar em volta e ver o que, para os outros, é complexo... Ah, na verdade sou eu quem sou alienada...

Antes, eu costumava a me questionar se o que o outro colocava para mim era verdadeiro. Descobri que a verdade é relativa e a gente não deve exigi-la a todo momento, mas senti-la... Antes, eu costumava a me questionar se eu seria figurante da minha própria vida... se eu não brilharia nem para mim mesma... eu me achava medíocre.
Antes, eu não queria ninguém. Me submeti a certas coisas, tentei enfiar na minha mente a todo custo que eu deveria aceitar essa forma - que vendem a todo momento em todos os lugares - de sentir o outro: como um produto de troca... Eu não me respeitava por aceitar isso tudo; não me questiono sobre as coisas passadas, pois estas já estão findas e enterradas junto com o personagem que vivi.
Antes, eu olhava e não via. Não ouvia. Não vivenciava, somente me questionava e não abria espaço. Aceitar era uma luta constante e me trazia um incomôdo do cacete.

antes era o que eu achava que poderia ter sido. Hoje é o que se segue: planos e improvisos!

Hoje eu me sinto dentro de mim; cabe perfeitamente dentro da minha pele. Tipo Forrest Gump se libertando dos aparelhos ortopédicos e aprendendo a correr, cá estou eu reaprendendo a viver!

Hoje eu posso olhar no espelho e ver que valeu a pena esperar pela imagem que hoje tenho de mim mesma.
Hoje eu posso olhar no espelho e ter um par me acompanhando sem que exista algum incomôdo.
Hoje eu posso ser eu mesma, aprender com as pequenas coisas, com meus próprios erros, com o que dizes pra mim...
Hoje podemos sonhar uma vida sem medos, sem angústias, sem meias palavras com relação a planos, ao nosso futuro...

Fiquei a pensar horas e horas e ver o que me tornei, no que Deus guardou pra mim; o mundo dá voltas e ele é sempre justo com aqueles que realmente merecem!

somamos e multiplicamos!

minha vida, divido somente contigo...

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