9.16.2008

For caring about…

Como não se importar com um ser insignificante? Diante da sua miudeza, a significância se torna imensa e afeta-nos tal qual a intensidade da luz do sol. A importância do ser insignificante em questão se remete a nossa capacidade de olharmos para nós mesmos e nos descobrirmos diante do olhar que repousa naquele reflexo.
O que fomos? Certamente, a esta altura pouco importa, porque o ser insignificante passa a nos remeter signos que precisam irremediavelmente ser incorporados à nossa profilaxia diária.
O que seremos? Talvez seja uma emergência absurda em mudarmos para o que a forma insignificante delineia e se forma. Repetindo o que um filósofo – de cujo nome não me lembro, mas que estava em uma das obras de Ernst Bloch – disse: “o que não tem forma, não existe”. E o insignificante remete propriamente a este dito de que as formas precisam existir, ainda que disformes. Como você pode se importar com o que não significa? E, some-se a isso, como você pode se importar com o que não remete nenhuma familiaridade e, portanto, não forma nenhuma imagem que lhe seja peculiar – ainda que a sua peculiaridade seja disforme.
Quando você repara que o seu mundo é o que há de mundo, você passa a viver o mundo das pessoas – aquele dos sinais e das placas de identificação. Quando você se insere dentro da sua forma – forma e não fôrma -, o resto se torna simplesmente resíduo que os insignificantes regozijam-se.
A idéia do insignificante é aproveitar-se de suas brechas questionadoras e tornar-se alguma parte.

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um paradoxo de sanidade e loucura