11.04.2008

Ignora-se o que não se sabe fazer em vez de buscar soluções que estão ao alcance. Ignora-se o saber lidar, porque é impossível parar, resignar-se e seguir em frente. Ignora-se o querer saber o que se passa, porque já se passou tanta coisa que não cabe em si nada mais. Ignora-se o entender, porque é mais fácil ignorar e fingir que tudo segue o curso a que cabe cada coisa.
Ignora-se que houve um momento em que as coisas não eram ignoradas, em que se insistiu para seguir adiante, dentro das possibilidades imediatas. Ignora-se que houve vida atrás de espelhos disformes e de comparações nunca fundamentadas...
Ignora-se que houve um momento em que as coisas se desencontraram e que figuras pictóricas clássicas foram re-engendradas. Ignora-se sempre o que se existe e passa-se a viver o que se imagina, o que se pode manipular.
Ignora-se que por um instante o que esteve distante era o mais próximo e todos os recursos eram direcionados para o tal distante. Ignora-se se havia um mundo que, por ventura, não sabia para onde olhar. Ignorou-se que havia algo a ser acalentado e o pouco que restava de energia era guardado para manter a inércia usual.
E houve alguém que se disse ignorado...

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um paradoxo de sanidade e loucura