11.06.2008

Por tudo o que estiver para acontecer

Decidi que o tempo depende de mim mesma. O mais óbvio dos ditados populares é o mais sensato. Decidi que preciso dizer tudo o quanto antes, ainda que o que ocupa maior parte neste tudo não consegue sair... este tudo exala através do meu rosto, do meu mau-humor constante e da vontade de não ser mais parte.
Decidi que o que havia para ser encontrado já foi. Aconteceu como eu havia previsto, imaginado... sonhado. Decidi que agora o que se segue não depende somente de mim, mas de você também. Somos dependentes um do outro, mas nossas vidas seguirão seguramente se houvermos de nos separar.
- Desculpe-me pelo pessimismo. Eu penso demais! Eu penso em todas as possibilidades plausíveis que, por ventura, venham a se situar no meio de nós dois. Desculpe-me pelas minhas inseguranças. Temo em lhe perder exatamente pela minha paradoxal racionalidade dionisíaca. Temo em lhe perder para o meu maior medo: enlouquecer como aquela paciente da Lygia Clark.
- Porra!
- Que foi? Desistindo? Temo por muita coisa. Temo que a admiração que tem por mim se esvaia quando eu sentar e chorar porque meu cabelo não fica como eu gosto. Temo que me ache fútil, porque quero ter meus luxos... E perco tanto tempo com minhas insanidades que, por vezes, esqueço-me que sou para você aquilo que és para mim... E lhe roubei tão bem roubado tal como Janete Jane... [isso foi para lhe imitar e não tornar tudo tão comum e piegas...]
- hehe.

2 comments:

Luís Freire said...

Olá!
Adorei seu comentário no meu blog e sempre quando vc vai lá me inspira algo mais para o próximo texto.
Espero que, mesmo eu "contando" um pouco da minha vida, esteja bom e perceptível as coisas que acontecem.
O que vc realmente está achando?
Sempre passo aqui no seu blog, mas nem sempre dá pra comentar. Ando correndo mto.
Se vc parar para perceber, andei até esquecendo um pouco do meu site. Voltei com força total!
Seus texto são ótimos. Passa um sentimento que eu ainda não sei explicar/exemplificar, porém ainda estou procurando a palavra certa para defini-los.
Beijos e até mais.

Luís Freire said...

Creio que seja válida a loucura.
"A loucura é a melhor arma para a sobrevivência", concordo quando vc cita isso em meu blog.
Realmente, para nós poetas, escritores ou seja lá o que somos - até mesmo para os outros - essa arma se faz necessário.
Esconder-se ou até mesmo se mostrar demais são as armas que além de nos fazerem bem, realça nossa vontade e nosso "ego".
Já diz nosso amigo Fernando Pessoa: "O poeta é um fingidor./
Finge tão completamente/
Que chega a fingir que é dor/
A dor que deveras sente."
E complemento com as palavras de nossa amiga - e exemplo - Clarice Lispector: "Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever".
É isso que fazemos!

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um paradoxo de sanidade e loucura