Oh, essa busca incessante pelo passado, onde tudo parece revelar a magia de nunca se ter vivido situação parecida. Ou, ainda, como aquelas pessoas conseguiam viver diante do caráter “rudimentar” de suas ferramentas cotidianas. É um constante admirar-se pelo o que não pode ser revisto, porque, diante de resquícios, podemos recriar o passado envolvendo-o de magia.
E tais resquícios, objetos de outrora, somente são fruto da necessidade daquelas pessoas; são aquilo que elas pensaram para melhorar as suas vidas e se atingir um ideal de perfeição. Eis a estética.
A estética é a interpretação do modo pelo qual se chegou a tal elemento, e de que aspectos filosóficos ele foi composto. Em resumo: os resquícios representavam a necessidade saciada – como, por exemplo, na falta de pêlos, o uso de peles de caça – e revelam, assim, a maneira peculiar pela qual cada grupo social saciava esta necessidade.
A maneira de enxergar o mundo subsiste em um único fator: precisamos sobreviver e, dentro de nossos limites, o que podemos fazer para prolongar a nossa sobrevivência? Como poderemos otimizar o que temos a nosso favor?
Assim, nascem as necessidades paralelas. Conhecer o que não está a nosso alcance e, até mesmo, entender os motivos banais por que um objeto de outrora ainda permanece. Acredito que ele permanece porque conseguimos relacioná-lo à magia tendo, por base, um fundamento legitimado. Acredito que ele permanece por conta dos ideais que representou e, por conseguinte, de sua estética peculiar de formalizar uma necessidade, seja ela alimentar ou de lazer. Alimentar, necessidade básica. De lazer, devido ao fato de que, mesmo nos instantes em que o ócio parece inevitável, procuramos algo para nos distanciarmos das atividades cotidianas.
Neste caso, a estética – e tudo mais que ela abarca – consegue explicar por quê Juliano e Winckelmann – cada qual em sua época e com seus motivos – desejaram resgatar as manifestações artísticas da Grécia Antiga. Eles desejaram reviver o ideal de perfeição – podemos definir como estética – que os gregos clássicos transmitiram à suas obras.
Dentro deste princípio, acredito que o que se buscava com estas manifestações artísticas era o que estava por vir. Sim, na minha imaginação limitada, os gregos desejavam imprimir o futuro em suas obras. Se com os princípios estéticos da tragédia criou-se meios para se produzir a tragédia ideal, as demais obras de arte também revelavam isso. A partir da materialização destes ideais, a realidade seria melhor, porque, a partir daí, se teria modelos, ou melhor, ideais a serem buscados.
Portanto, o que Juliano e Winckelmann – e tantos outros – desejaram foi viver este ideal a partir das imagens que eles tinham dos gregos antigos. O que eles quiseram foi usar estas imagens como exemplo imediato, acredito eu, novamente, dentro da minha imaginação limitada. Entretanto, o que eu vejo dentro destes resgates é uma tentativa antecipadamente frustrada de reviver ideais a partir de uma percepção externa pré-concebida que, por sua vez, está deslocada temporalmente. Estes resgates partem de uma idéia de vida concebida por pessoas convivendo em um espaço particular – daí as necessidades e as maneiras peculiares de solucionar tais necessidades.
A estética pressupõe o ideal, a perfeição, daí, pode-se concluir, que o ideal e a perfeição são necessidades comuns aos seres humanos, entretanto, a maneira pela qual estes ideais se materializam revela as peculiaridades estéticas de cada grupo social.
10.27.2008
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